quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Amputação Sentimental

Sou e sempre fui um manumisso arrependido
E prefiro mil vezes minha vida anterior
Porque sempre fui de vocação um antinômico
E nunca almejei ter uma vida superior

Me sinto satisfeito com todos os escritos
Que hipócritas malditos puseram em meu jazigo
Pena que me agradam agora que estou no acme
Dessa triste doença que é viver sem ter amor

Mas ao meu cenotáfio, vejo todos que amava
Me visitam sempre, sempre onde não estou
Mas percebo a sinceridade de quem chora no mármore
Tentado me provar que também sentem a minha dor

Talvez eu acredite, mas o que isso vai mudar
Agora já é tarde, não posso mais concluir
E abcidar da minha alma todos os sentimentos
Permitindo que os bons não deixem os maus fluir

E a sizetese da minha vida é a raiva do amor
Por não sentir o soberboso gozo terreal
Um prazer tão vistoso de plena veracidade
Deveria ser um sentimento totalmente universal

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Pronome demonstrativo

Sou tão pouco para o que quero ser.
Às vezes tanto pra você.
Mas sou aquele.

Sou sincero, medícre e arrogante.
Às vezes intrigante.
Mas sou aquele.

Sou solidão, acredito no que invento.
Esperando mais do tempo.
Mas sou aquele.

Sou o meu próprio mundo.
Com sentimento profundo.
Mas sou aquele.

Sou a vida, sou a morte.
Por mera sorte.
Mas sou aquele.

domingo, 1 de novembro de 2009

Meia luz

Sinto falta da sua boca,
Um minuto depois do beijo.
Já não cabe em mim o desejo,
De te ter nos meus braços, toda.

Sentir o seu cheiro gostoso,
Que sacia um sentido faminto.
És muito mais do que alimento,
És verdadeiramente um sonho.

Num abraço à meia luz,
Faz sentir mais do que é preciso.
Tantos sentimentos parecidos,
E um olhar que comove e seduz.

Minhas mãos passeando em teu corpo,
Conhecendo o que já imaginava.
Mas, muito mais que esperava,
És de tudo, o que há de perfeito.

sábado, 31 de outubro de 2009

Jogo da Vida

Quase sem vontade de seguir
A espera do que nunca vai acontecer
Só me resta lembrar que fui feliz
E aceitar que o melhor é esquecer

O culpado é impossível descobrir
Pois o orgulho revida acusações
E se torna um jogo de ofensas
Se tornando mais importante que as paixões

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Incompleta

Me entrego totalmente, pouco peço em troca,
Pois sei que vale a pena, o amor recompensa.
Mas se ainda assim, te deixo incompleta,
Me sinto vazio, um completo idiota.

Pois mais do que faço, é difí­cil fazer,
Anulando a própria vontade, prefiro a sua.
Que as vezes é coletiva, mas nem sempre,
Me fazendo até duvidar do que realmente sente.

Se um erro é cometido, gerando outros,
Que mal faz assumir as consequências.
Dos seus, dos meus, efeito borboleta,
Causando danos irreparáveis a consciência.

Orgulho. Sentimento tão pequeno,
Que muitas vezes é mútuo, eterno conflito.
Mas se vale a pena seguir, que tal esquecer?
E deixar o amor se tornar nosso abrigo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Dois cotidianos

Cansado de estar sempre errado,
Cansado de nunca ter razão.
Cansado de não ser tão enamorado,
No começo tudo tem mais emoção.

Cansado de cobrar e ser cobrado,
Por mudanças que nunca aconteceram.
Mas que sempre levam ao desagrado,
Adormecendo o que já esqueceram.

Cansado de tentar sempre o melhor,
E saber que é o que tenta também.
Mas que por motivos banais ou pior,
Nos distanciam do objetivo do bem.

Cansado de estar cansado em vão,
Se o que quero está logo ao lado.
Melhor, vou sossegar o coração,
E deixar que siga apaixonado.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Coexistência

Para quê tanto sentimento?
Não precisa ser perfeito.
O importante é o entendimento,
Para que nasça o respeito.

Palavras são armas mortais.
O silêncio é pura agonia.
De pessoas simples, normais,
Mudam, perdendo a magia.

Do que é simples de entender
Para quem não tapa os olhos
E não se preocupa se o que vê.
É mais que seu reflexo nos outros.

Pois dualismo é importante,
Como a ternura, o carinho.
Pois o amor não é arrogante,
E não pode existir sozinho.